Eu sei que já está praticamente batido, que todo mundo agora gosta de Beirut, quase demodé, mas esse não é um blog lançador de tendências (ou, pelo menos, ninguém até agora me disse que mudou de vida depois de ler meus textos), então, posso me dar ao luxo de colocar exclusivamente o que gosto.
E nos últimos dias essa música não sai da minha playlist. Clique no play e siga a letra logo abaixo:
Não tenho mais o costume adolescente de sair criticando tudo o que é feito pelo poder público. Não me alinho com diversos blogs dessa cidade do interior na cruzada por uma forma de socialismo ainda arraigada na discussão teórica, longe da realidade. Aliás, desse vício eu me livrei ainda em 2003, quando saí da FFLCH, entre outras coisas, pelo pensamento chato e o patrulhamento imbecil que imperava no meio estudantil. Como dizem lá os ultrapolitizados, fui pra ECA dos alienados, aqueles que não discutem o movimento estudantil e só vivem de festa. Mas sabíamos fazer festa; como sabíamos!
Enfim, isso foi só para falar do novo piso da praça Carlos Alberto de Souza, no Campolim. Fui lá ontem, para assistir ao entediante show da Leila Pinheiro (desculpem o pleonasmo) e na ocasião foi inaugurada a reforma que, à Niemeyer, substituiu todo o gramado da área onde acontecem os shows por paralelepípedos. Tira-se o conforto pela conveniência de não pisar no barro, transforma a experiência do contato com um terreno natural pela suposta assepsia do concreto. Os pais que gostam de levar os filhos para um passeio matinal no domingo, ao invés de deixarem as crianças soltas pelo parque, preocupavam-se com uma possível queda no concreto. É a típica besteira feita para agradar a setores conservadores da sociedade, mas paga com o dinheiro de todos.
Tenho inúmeras restrições ao repertório e pensamento que norteia os shows realizados naquele parque, mas, de fato, criaram um hábito nos sorocabanos de prestigiar shows e espetáculos fora do eixo teatro/clube. Não é uma revolução, como prega o produtor responsável, mas uma alternativa viável. Uma proposta que resvala mais na melhoria da qualidade de vida dos habitantes que uma nova forma de pensar a ocupação dos espaços públicos. Claro que eu poderia ficar aqui discursando que o parque está num bairro nobre, que a população como um todo não tem acesso e tal, mas nem esse é o espaço ideal nem essa é minha preocupação. Os parques acessíveis vêm sendo feitos, mas se naquele que sediou o piloto dos shows ao ar livre a concretagem já começou, o que será dos próximos?
Sou fã do clip "Around The World", do Daft Punk. Acho que é o tipo de música que não sobrevive sozinha; precisa do suporte visual. Ou eu estou tão acostumado com o clipe que não consigo ouvi-la.
Ao mesmo tempo, sou fã das bizarrices de girar o disco ao contrário e descobrir mensagens escondidas, como nessa música da Xuxa.
Mas juntar, num mesmo clipe, Xuxa, Daft Punk e Vovó Mafalda só vi hoje:
Sempre fui um fã inconstante de Calvin e Haroldo, os geniais personagens criados por Bill Watterson. Cada incursão nos seus livros são, para mim, uma nova viagem a um universo desconhecido, sempre em renovação.
Há pouco, um post do Alexandre Inagaki me fez parar um pouco o trabalho e me emocionar. Vale a visita e a reflexão que essa tirinha causa.
Recebi essa dica pelo Idea Fixa (lá é possível obter mais informações sobre o realizador. Não quis fazer um copypaste do post) e confesso que a animação me tocou bastante. Não há muito o que falar. Só assistir:
Esse blog está funcionando bem meia-boca nos últimos tempos.
Mudança de casa, mudança de trabalho, um mês sem internet por conta da ridícula estrutura de telecomunicações, e tudo o que eu tinha para escrever vai ficando em segundo plano.
Espero conseguir me disciplinar para escrever de vez em quando. No último feriado, descobri vários blogs com textos muito interessantes, que me inspiraram a colocar na rede alguns pensamentos, guardados há tempos e nunca levados a sério. Mas a mudança de trabalho é que realmente deve colaborar nessa resolução.
Vinha há alguns meses trabalhando como diretor de arte em agência de publicidade e deixava a criação de textos para os trabalhos esporádicos com teatro empresarial. Sentia uma queda vertiginosa na qualidade do meu texto, e muito em função da falta de contato diário com a escrita. Tudo estava se resumindo aos 140 caracteres do Twitter. Então, há quase um mês, fui contratado como redator em outra agência.
Ainda sinto que não produzo nada. Parece que os textos não fluem, que não têm encadeamento nem brilho. Claro que ainda estou me adequando à linguagem de cada cliente, mas a impressão geral é de andar com o freio de mão puxado. E, pasmem, as pessoas gostam do que escrevo! Acham que acertei o tom que o cliente deseja, que está de acordo com o briefing e me pergunto se é minha auto-crítica que está exacerbada ou se são todos falsos, mesmo, pra não me desanimar no início.
Mas resolvi escrever hoje, também, porque acabei de assistir ao teaser da micro-série Capitu, do doente Luiz Fernando Carvalho. Doente porque é o único adjetivo que encontro para classificá-lo. A minúcia de detalhes da direção de arte, a composição de cada movimento dos atores e, principalmente, o olhar teatral na maneira de contar as histórias me impressionam. Cada uma de suas obras me faz cair o queixo pela sua maneira de produzir e pela teimosia em levar um produto instigante para a televisão.
Mas, até aí, estamos no campo do racional da análise da obra. O que me pega é como o seu modo de contar uma história nos leva rapidamente ao emocional: no meio do vídeo eu me pego chorando, sem saber exatamente o por quê. E por isso tudo acabo me lembrando em alguns breves momentos da obra do falecido diretor sorocabano Carlos Roberto Mantovani.
Para quem gostar do teaser e tiver vontade de colaborar de alguma maneira, foi criado o site Mil Casmurros, onde você pode ler um trecho do livro, gravá-lo com a sua câmera e compartilhá-lo. (UPDATE: O @cmerigo postou um ótimo texto sobre a iniciativa aqui)